MULHERES QUILOMBOLAS DE MARAGOGIPE E SALINAS FORTALECEM VÍNCULOS EM INTERCÂMBIO DE SABERES

Mulheres quilombolas das comunidades do Topá e da Sambambaia, em Maragogipe, e de Conceição de Salinas, em Salinas da Margarida, participaram, no dia 30 de julho, de um encontro realizado na sede da Cooperativa das Mariscadeiras de Salinas da Margarida (COOMAS), dedicado à troca de experiências e ao fortalecimento das organizações locais.

A atividade reuniu diferentes trajetórias, saberes, práticas organizacionais e produtivas, em um diálogo sobre potencialidades, desafios, redes de apoio e estratégias construídas coletivamente para ampliar oportunidades de geração de renda e contribuir para o desenvolvimento dos territórios.

O intercâmbio integra as ações desenvolvidas pela Enseada Indústria Naval, por meio do projeto Mulheres da Maré – Rede de Saberes, voltadas ao fortalecimento das organizações comunitárias, à valorização dos saberes locais e à articulação entre os territórios. A atividade reuniu grupos que, apesar das particularidades de cada comunidade, compartilham desafios, potencialidades e experiências semelhantes.

Durante o encontro, as participantes compartilharam as trajetórias de suas organizações, o que produzem, as atividades desenvolvidas e as formas de atuação em seus territórios. O intercâmbio abriu espaço para que agricultoras e marisqueiras compartilhassem experiências, reconhecessem pontos em comum e conhecessem estratégias adotadas por outros grupos diante de desafios do cotidiano. Entre os temas discutidos estiveram produção e comercialização, organização coletiva, união dos grupos, geração de renda, acesso a oportunidades, serviços e políticas públicas. As participantes também abordaram as dificuldades relacionadas à distância entre algumas comunidades e a sede do município, situação que pode representar um obstáculo ao acesso a serviços essenciais e a diferentes políticas voltadas às populações tradicionais.

Além dos desafios, o encontro deu visibilidade às soluções construídas nos próprios territórios. As mulheres compartilharam experiências que vêm apresentando resultados positivos, redes de apoio, parcerias estabelecidas e estratégias utilizadas para ampliar a atuação das organizações e fortalecer as atividades produtivas locais.

Para Tainan, presidente da Associação de Mulheres Quilombolas da Sambambaia, a experiência possibilitou novos aprendizados e trouxe referências importantes para o fortalecimento da organização.

“Tivemos a alegria de conhecer a COOMAS e viver um momento muito especial de troca de experiências. Foi uma oportunidade incrível para conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela cooperativa, aprender novas formas de organização e compartilhar também um pouco da nossa caminhada. Saímos com muitos aprendizados, novas ideias e, principalmente, com a certeza de que, quando associações se unem para compartilhar conhecimentos, todos crescem juntos. Que possamos continuar fortalecendo essa parceria e aprendendo umas com as outras. Juntas somos mais fortes!”, destacou Tainan.

A troca de saberes demonstrou ainda aspectos comuns às trajetórias de agricultoras e marisqueiras. Mesmo inseridas em contextos distintos, elas reconhecem na organização coletiva, na cooperação e na valorização dos conhecimentos tradicionais caminhos importantes para ampliar sua atuação e fortalecer as mulheres quilombolas em suas comunidades.

Na avaliação de Kátia Santos, consultora da Pérola Negra e especialista em Economia Solidária, a troca de conhecimentos representa um dos princípios importantes da economia solidária e contribui diretamente para o fortalecimento e a autonomia das organizações. “Dentro da economia solidária, existe uma prática muito importante, que é a troca de saberes, a troca de conhecimentos. A consultoria da Pérola Negra valoriza muito o saber local. Juntar as comunidades de Salinas com as comunidades de Maragogipe para trocar experiências, principalmente uma cooperativa que já tem muitos anos de experiência, com um grupo de mulheres que está iniciando seu processo de legalização, fortalece e empodera as mulheres”, afirmou.

Kátia ressaltou ainda que o conhecimento compartilhado entre os grupos pode gerar impactos que ultrapassam o âmbito das associações e cooperativas. E diz: “Nosso maior objetivo é fortalecer essas mulheres para que, entre elas mesmas, consigam trocar experiências, crescer e conquistar cada vez mais autonomia, sem depender permanentemente de atores externos. Quando as mulheres adquirem conhecimento, elas aplicam na vida, nas associações, cooperativas, em prol do desenvolvimento das comunidades”.

O encontro contou também com a presença de Roberto Souza, Gerente Industrial da Enseada, que acompanhou as apresentações dos grupos e destacou o compromisso da empresa com as comunidades tradicionais e com o desenvolvimento socioeconômico dos territórios do entorno do empreendimento.

Em sua fala, Roberto ressaltou que a retomada das atividades industriais da Enseada representam um importante vetor de desenvolvimento para a região, mas que a atuação da empresa não se limita à atividade industrial. Nesse contexto, destacou o Projeto Mulheres da Maré – Rede de Saberes como uma das iniciativas que expressam esse compromisso, ao apoiar a organização comunitária, a valorização dos saberes locais e a construção de novas oportunidades. Segundo ele, contribuir para a transformação das condições de vida das comunidades do entorno também faz parte do compromisso da Enseada com o território onde está inserida.

Por meio do Projeto Mulheres da Maré – Rede de Saberes, a Enseada mantém espaços de escuta, diálogo e conexão entre grupos de diferentes comunidades, estimulando a circulação de conhecimentos e a articulação entre iniciativas locais.

Ao reunir agricultoras e marisqueiras de diferentes territórios, o intercâmbio mostrou que experiências compartilhadas podem se transformar em referências para novos caminhos. Os conhecimentos, desafios e conquistas apresentados durante o encontro reforçaram a importância da articulação entre os grupos, da valorização dos saberes locais e da construção coletiva de estratégias voltadas ao desenvolvimento das comunidades.

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Esta ação integra o escopo dos Programas de Sustentabilidade da Atividade Pesqueira – PSAP, de Comunicação Social – PCS e de Educação Ambiental – PEA, integrantes da Licença de Operação Nº 19.900, de 07/01/2020 e Licenças de Alteração Nº 20.117, de 14/02/2020, Nº 27.705, de 30/12/2022, Nº 28.961, de 28/06/2023 e 30.924, de 25/04/2024 emitidas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – INEMA.

08/09/2026
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