PROJETO MULHERES DA MARÉ GERA RENDA, FORTALECE TRADIÇÕES E IMPULSIONA ECONOMIA SOLIDÁRIA NO RECÔNCAVO BAIANO

O Projeto Mulheres da Maré – Rede de Saberes consolidou-se como uma iniciativa estruturante de desenvolvimento territorial nos municípios de Maragojipe e Salinas da Margarida, no Recôncavo Baiano. A ação tem como foco o fortalecimento da economia solidária, especialmente por meio da pesca artesanal, mariscagem e agricultura familiar, promovendo inclusão socioprodutiva, fortalecimento comunitário e geração de valor compartilhado.

Com atenção especial ao protagonismo feminino, o projeto atua junto a mulheres marisqueiras, pescadoras e agricultoras, valorizando seus saberes tradicionais e ampliando oportunidades de geração de renda e organização comunitária. As ações são desenvolvidas em parceria com associações, cooperativas e organizações de base comunitária, incluindo grupos pesqueiros, quilombolas e da agricultura familiar. Essa articulação contribui para o fortalecimento do associativismo e do cooperativismo no território, promovendo o respeito à cultura, aos conhecimentos e às tradições locais.

Lançado em 2023, o projeto ampliou significativamente suas atividades em 2025, em parceria com a Associação Pérola Negra. Ao todo, foram realizadas 54 ações, beneficiando diretamente 191 famílias e indiretamente 392 famílias de 14 comunidades pesqueiras, de mariscagem e quilombolas do entorno do empreendimento Enseada. Um dos marcos do projeto foi a consolidação da parceria com a Lemos Passos, empresa responsável pelo fornecimento de alimentação na Enseada. A iniciativa fortaleceu a rede de apoio às ações do projeto e contribuiu para a sustentabilidade das iniciativas desenvolvidas nas comunidades.

A parceria possibilitou a articulação entre a Associação de Pescadores e Marisqueiras do Dendê (ASMAD) e a empresa, viabilizando o fornecimento de produtos da agricultura familiar para o refeitório da Enseada, em Maragojipe. Entre os alimentos comercializados estão aipim processado pela associação, manga e quiabo, fortalecendo a produção local, valorizando os produtos da região e aquecendo a economia comunitária.

Outro importante resultado foi a certificação da Comunidade Quilombola de Capanema/Pijuru, em Maragojipe. A conquista coletiva contou com o apoio do Projeto Mulheres da Maré, por meio da articulação institucional com a Fundação Cultural Palmares, beneficiando cerca de 500 famílias tradicionais, com aproximadamente 1.500 remanescentes de quilombo.

O reconhecimento representa um marco histórico para a comunidade, ampliando o acesso prioritário a políticas públicas e direitos sociais historicamente negados às populações tradicionais. Para divulgar essa conquista, a TV Kirimurê, em parceria com a Enseada, apresentou no programa Conversa Preta a trajetória de luta, resistência e valorização dos saberes e fazeres do Quilombo de Capanema.

O projeto também conta com importantes parcerias institucionais, como o CESOL do Recôncavo Baiano – Centro Público de Economia Solidária e a Rede Matarandiba de Economia Solidária e Cultura, fortalecendo as iniciativas de formação, organização produtiva e geração de renda.

As ações dialogam ainda com o Projeto Barcaças do Paraguaçu, desenvolvido pelo consórcio Enseada–Tenenge, empresas do grupo Novonor, a partir da contratação da LHG Mining. Essa articulação demonstra como grandes projetos estruturantes podem gerar impactos socioambientais positivos quando integrados ao desenvolvimento territorial, à inclusão econômica e ao fortalecimento das organizações comunitárias.

Nesse contexto, o Mulheres da Maré consolida-se como uma iniciativa estratégica de inclusão social, fortalecimento da economia local, responsabilidade ambiental e governança colaborativa. Mais do que resultados, o projeto contribui para a construção de bases sólidas de desenvolvimento sustentável, promovendo a valorização cultural, a preservação ambiental e a autonomia das comunidades tradicionais do Recôncavo Baiano.

A experiência confirma que o verdadeiro desenvolvimento sustentável se constrói por meio do diálogo, da corresponsabilidade e de parcerias consistentes, tendo como protagonistas as próprias comunidades.

Esta ação integra o escopo da Anuência FCP Nº 15/2010 e dos Programas de Sustentabilidade da Atividade Pesqueira – PSAP e do Programa de Comunicação Social – PCS, integrante da Licença de Operação Nº 19.900, de 07/01/2020 e Licenças de Alteração Nº 20.117, de 14/02/2020, Nº 27.705, de 30/12/2022, Nº 28.961, de 28/06/2023 e 30.924, de 25/04/2024 emitidas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – INEMA.

10/03/2026
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